Arquivo do mês: junho 2012

“FALANDO CUIABANÊS”

No início da década de 70, a chegada da televisão e o  começo do moderno processo de colonização do Estado, trouxeram para Cuiabá um choque cultural.

Levas de migrantes do Sul Maravilha,  com usos, costumes, falares e culturas bem diversos da população nativa, passaram a dominar a cena econômica, política e social local. Os programas de televisão, por sua vez, inundaram as casas, bombardeando a nossa cultura.

Então, a nossa gente simples refluiu em seu linguajar. Muitos de nós chegamos a nos envergonhar do nosso diferente jeito de falar.

Todavia, a partir do movimento cultural Muxirum Cuiabano*, do início da década de 90, Cuiabá pouco a pouco retomou o orgulho dos seus valores. Da sua gente. Das suas tradições.

O cuiabanês passou a ser reconhecido como uma riqueza desta terra. Como um caldo cultural, que mistura o português do colonizador, a fala caipira do Bandeirante, o dialeto do negro africano e a língua-terra do índio bororo.

Puta Merda! – Exclama o cuiabano, diante de uma surpresa. Diante do inesperado. De um perigo raspante.    De um susto. Não é palavrão. Não é xingamento. É a língua. É o povo. Em sua expressão mais pura. Mais genuína. Mais criativa.

Tocera, é o sujeito metido. Convencido. Cuiabano, porém, é simples, sem nem um chiriri de vaidade. Chiriri é pouquinho.

Digoreste é o sujeito bom naquilo que faz. Muito capaz. Talentoso. O cuiabano teve que ser bem digoreste para fazer civilização em um rincão distante. Isolado do litoral. No meio do mato grosso do Brasil Central.

E esta terra produziu iste ouro – de tchapa e cruz – que encheu as burras da coroa portuguesa. Terra rica em ouro. Rica também em criatividade linguística. Iste, quer dizer muito. Tchapa e cruz, quer dizer “genuíno de Cuiabá”. Cuiabano nativo. Tradicional.

Tchá por Deus (admiração, espanto), já falei demais. Ta na hora de parar. Agora quando? Manifesto-me em dúvida, leitor amigo.

Outro dia eu vorto pra falar de bofeira, monzuarte, tabufa e corcoveia.

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* Muxirum Cuiabano – Movimento de Resgate e Fortalecimento da Identidade Cultural Cuiabana.  Muxirum é o jeito cuiabano de falar mutirão.  Trabalho coletivo e solidário em prol de uma pessoa ou comunidade.

Fonte: Equipe Soul Cuiabano

Autor: Maurides Leite

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Rio Cuiabá +100

ECO-92 foi o nome dado à 2ª Conferência Mundial Para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também chamada 1ª Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992.

Basicamente, essa Conferência teve como foco a discussão de uma proposta de desenvolvimento sustentado, de um modelo de crescimento que harmonizasse preservação ambiental e desenvolvimento econômico.

Biodiversidade (diversidade genética e de habitat entre os seres vivos) e Biopirataria (saída ilegal de material genético de um país para outro) foram algumas das expressões que ganharam destaque na mídia e caíram na voz do povo.

De 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro, se realiza a Rio + 20, que vem a ser a ECO-92, reeditada 20 anos depois, para avaliar as conquistas e fracassos ambientais, ocorridos desde então, propondo novos rumos e soluções para a sobrevivência do homem e do planeta terra.

A Agenda 21, documento mais importante da ECO-92, subscrita por 179 países, deveria ter sido uma Cartilha de Desenvolvimento, a ser seguida por todos: países, povos e empresas.

Perguntemo-nos: o que foi feito? O que fizemos? O que podemos fazer?

Cuiabá é fruto inconteste do Rio Cuiabá. Sua vida simples, gostosa e  sossegada replica as características do rio. Sua gente indômita, pacífica e alegre reproduz as virtudes do rio.

Mas o Rio Cuiabá agoniza, cheio de lixo, sujeira e poluição. Tem pouco peixe e já não tem tanta água. Convém perguntar: se o rio morrer, o que será de Cuiabá e de sua gente? O que será das cidades ribeirinhas? O que será do Pantanal que, tal como nós, bebe de suas águas?

O rio Cuiabá, não pode continuar órfão de nós que vivemos às suas margens. Por isso, conclamo a todos para cumprirmos a AGENDA 21 perante o Rio Cuiabá.

Vamos preservá-lo por mais 100 anos! Se o rio vive, nós vivemos!

RIO CUIABÁ + 100.

Fonte: Equipe Soul Cuiabano

Autor: Maurides Leite, um cuiabano da beira do rio, com saudades dos banhos na pedra 21 e dos tempos em que podia beber diretamente das águas do rio.

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“Santo Antonio – Uma devoção de família”

Hoje, 13 de junho, é dia de Santo Antonio. Dia do santo casamenteiro. Dia de apelar aos poderes milagrosos do santo e também de agradecer-lhe as graças alcançadas.

Virgens arrependidas e donzelas juramentadas, todas alevantam os olhos pra Santo Antonio, em busca de cumplicidade e de parceria nas tramas e teias do coração.

Mas, Santo Antonio não atrai apenas homens e mulheres a procura de amor. Ele também atrai uma forte devoção-religiosa-cristã. Que une pessoas. Reúne famílias. Sustenta a fé.

Há mais de 80 anos, meu avô, João Evangelista Padilha, no coração do Pantanal, em seu sítio, no “Estirão Comprido”, à beira do rio Cuiabá, em Barão de Melgaço, iniciou a nossa família na devoção a Santo Antonio.

Ainda solteiro, com 18 anos, vovô havia achado uma pequena imagem de Santo Antonio. Tomou-se, então, de fé por aquele Santo, que o acompanhou pela vida afora.

Casado com Nhanhá, – vovó Guilhermina Viegas de Pinho – vovô passou a realizar a Festa de Santo Antonio todos os anos, em sua residência. Não à toa, o seu primeiro filho veio a chamar-se Antonio. Foram dez filhos. Seis homens e quatro mulheres. Todos devotos de Santo Antonio.

Segundo minha mãe, Celina, a festa era muito bonita e animada. Vinha gente de todo lado. Do rio acima e do rio abaixo. De Barão e de Mimoso. De Porto Brandão.

Parentes e amigos, todos se juntavam pra preparar a festa. Pra rezar e cantar. Pra dançar o Cururu. Pra dançar o siriri. Pra Comer e se divertir. E a alegria corria solta. Ao som plangente da viola. Ao roçar troante do ganzá. Ao rufar marcante do banco de couro.

Vovô, além de tocar a Viola de Côcho, puxava a Reza Cantada,  que animava os fiéis e instilava a devoção nos corações de todos.

Defronte da casa era erguido um “Empalizado” de folha de acuri. O salão de festas, onde tudo acontecia. As rezas. As danças. A bebeção. A comedoria.

A fartura era grande. Muita comida. Galinha. Porco. Boi. Muitos doces. De goiaba. De caju. De abóbora. De mamão. De leite. Muita cachaça caseira. De alambique. Muita conversa fiada. Muita animação.

Meus avós se foram. Ficou uma família enorme. Com mais de 200 pessoas. Filhos. Netos. Bisnetos. Todos cheios de saudades e de fé. A devoção se perpetuou. Anualmente, celebra-se o padroeiro em uma grande festa da família.

Dia 17/06, sob a coordenação de tio Nhonhô, tia Isa e do primo Jorge, Santo Antonio será novamente festejado pela família. Certamente, a animação será grande. Com muita fé e devoção. Com muitas lembranças de Nhanhá e Vô Jão.

 Viva, Santo Antonio!

Fonte: Equipe Soul Cuiabano   

Autor: Maurides Leite  

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Feliz dia dos namorados!

Fonte: Equipe Soul Cuiabano

Produção: Rodolfo Leite

Autor: Maurides Leite

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Cuiabá – Da Jardineira ao VLT.


 

No início da década de 60, ir do Bairro do Porto ao centro de Cuiabá, ou era a pé, ou de bicicleta ou de Jardineira. Naquele tempo, havia uma Jardineira que fazia o transporte de passageiros nesse trajeto. Era uma espécie de ônibus. Sem portas. Com estribos laterais, que propiciava uma viagem panorâmica, com o vento batendo na cara. Ainda moleque, algumas vezes, pude viver a feliz aventura de viajar na Jardineira, que era um VPRVeículo Pesado Sobre Rodas.

Então, Cuiabá era uma cidade de pedestres. De pouquíssimos carros. Ia-se de um lado a outro da cidade, quase sempre a pé. Alguns de bicicleta. Carros quase ninguém os tinha. Só os ricos. Que eram poucos. Não havia tantos como hoje. Naquela época, a corrupção e a falta de brio na cara não eram atributos pra vencer na vida. O homem se fazia e era respeitado por seu trabalho. Por seu caráter. Por sua dignidade. O fio do bigode era a garantia da palavra empenhada.

A vida era calma e serena. O trânsito nem existia. O barulho de um carro chegava a ser música para os ouvidos. Dava prazer ver um carro rodando. Era coisa de cinema. Não havia atropelamentos. Havia uma convivência fraterna entre pedestres e motoristas. A cidade respirava paz e tranqüilidade

Passou-se o tempo. Cuiabá cresceu. Tornou-se adulta. Emancipada. Virou metrópole. O progresso chegou. A partir de 1977, com a divisão do Estado, a cidade deu um salto no tempo. Saiu da tranqüilidade provinciana para a efervescência da modernidade.

Pouco a pouco as ruas se encheram de carros. Os casarões residenciais, de tanta beleza e histórias, foram sendo trocados por prédios de apartamento. O primeiro, do início da década de 70, foi o Maria Joaquina. Na Cândido Mariano. Ao lado da Praça Alencastro. Depois, vieram  muitos outros. Residenciais e Comerciais. A cidade se espraiou. Cresceu horizontalmente. Subiu. Cresceu verticalmente. Ganhou inúmeros bairros. Saiu da depressão da baixada cuiabana para as alturas do céu. Montada em várias centenas de edifícios que se espalharam por todos os lados.

As ruas estreitas e sinuosas, cheias de subidas e descidas, ficaram apinhadas de carros e motocicletas. O trânsito tornou-se caótico e barulhento. O convívio dos veículos com os transeuntes deixou de ser amistoso. Tornou-se uma relação de guerra. Tantas são as mortes e ferimentos no trânsito. Ir de um lado a outro da cidade tornou-se um exercício de paciência. De boa vontade. De tolerância. Há muito stress, desafiando a civilidade, o fino trato e o amigável jeito de ser do cuiabano.

Em 2014, Cuiabá vai ser uma das sedes da Copa do Mundo. Por conta disso, algumas obras de infra-estrutura e de mobilidade urbana se fizeram necessárias. Daí as famosas trincheiras e viadutos, que deverão ser construídos ao longo da avenida Miguel Sutil, como forma de dar fluidez e segurança ao trânsito da cidade.

Para atender aos dois mais importantes corredores de trânsito da cidade, será implantado o famoso e discutido VLT- Veículo Leve Sobre Trilhos, que pretende ser um sistema de transporte moderno e rápido, para atender ao eixo Cuiabá (terminal do CPA I) – Várzea Grande (Terminal André Maggi), via Avenida Tenente Coronel Duarte, e o eixo Centro de Cuiabá – Bairro Coxipó da Ponte, via Avenida Fernando Correia da Costa.

Com tais obras e sistema de transporte se pretende desafogar as ruas de Cuiabá, restituindo um pouco de ordem e de calma ao trânsito da cidade. Quiçá, devolvendo ao nosso povo um pouco do sossego perdido.  Cuiabá precisa desse choque de modernidade! Cuiabá precisa dessa novidade cidadã! Cuiabá precisa de paz e tranqüilidade para seus cidadãos! Que venha o VLT, as trincheiras e viadutos!

 

 Fonte: Soul Cuiabano

Autor: Maurides Leite 

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2ª Feijoada Restaurante Fundo de Quintal – “Um Jeito Cuiabano de Ser Feliz”

Dia de sábado. Feijoada no “Fundo de Quintal”. Grupo de amigos. Muitas famílias. Música gostosa. Samba de raiz.

Programa para quem tem alma jovem. Pra jovem guarda de ontem e pra velha guarda de amanhã. Pra juventude de ontem e de hoje.

Comida saborosa. Quentinha. Cerveja gelada. Ambiente aconchegante. Alegria geral. Conversa fiada. Língua afiada. Apimentada, qual tempero de feijoada.

Fundo de quintal. Casa cuiabana tem. Muitos pés de fruta. Casa Cuiabana tem. Muitos amigos festeiros e festivos. Casa cuiabana tem. Muita alegria. Casa cuiabana tem. Muita fartura. Casa cuiabana tem. Muita amizade. Casa cuiabana tem.

Em terras cuiabanas, nada mais agradável que um “Fundo de Quintal” bem cuidado, pra receber os amigos e fazer festa.

Comer no quintal da casa, sob o calor da terra, à sombra das árvores, faz cócegas na alma de nossa gente. É uma pequena mostra do jeito cuiabano de ser feliz.

Os donos do “Fundo de Quintal”, aprazível casa cuiabana de “almoçar fora”, criaram uma atmosfera cabocla, com cidadania tipicamente cuiabana, para receber a todos que apreciam os pratos simples e saborosos da terra.

Vale a pena conhecer o local, saborear as delícias e viver um gostosa experiência de ser Cuiabano … no “Fundo de Quintal”.

Agradeço a Rafael e aos seus pais, proprietários do Fundo de Quintal, por nos terem propiciado “passar o dia”, neste sábado (02/06), no melhor estilo cuiabano de viver: com calor humano, comida gostosa, cerveja gelada, amizade sincera e alegria geral.

Ser feliz é simples. Como o Fundo de Quintal. Um jeito cuiabano de ser feliz!

Fonte: Equipe Soul Cuiabano

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