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Nos Embalos de Sábado à Noite

NO INÍCIO DA DÉCADA DE 70, O MOVIMENTO HIPPIE – DE PAZ E AMOR – PREGAVA A PRESERVAÇÃO DA NATUREZA, O FIM DA GUERRA DO VIETNÃ, A LIBERDADE SEXUAL, A INFORMALIDADE DE VIVER A VIDA SEM COMPROMISSOS “CARETAS”. SE ERA UMA ÉPOCA DE CONTESTAÇÃO DO STATUS QUO, TAMBÉM ERA UMA ÉPOCA DE ROMANTISMO…

OS HOMENS COMEÇARAM A DEIXAR DE SER FORMAIS OU CARETAS E ADERIRAM À MODA DO CABELO COMPRIDO OU BLACK POWER, SAPATOS PLATAFORMA, CALÇAS BOCA DE SINO, ROUPAS COLORIDAS – PSICODÉLICAS, COMO SE DIZIA… ATÉ AS LUZES MULTICORES E FAISCANTES DAS BOATES, ERAM DITAS PSSICODÉLICAS – PRA DANÇAR BEE GEES, FRED MERCURY OU JOHN TRAVOLTA, OU OS NACIONAIS, OS INCRÍVEIS, RENATO E SEUS BLUE CAPS, THE FEVERS, TIM MAIA, A TURMA DA JOVEM GUARDA.

AS MULHERES DESLANCHARAM NA PÍLULA ANTICONCEPCIONAL, SÍMBOLO DA LIBERDADE SEXUAL E DA EMANCIPAÇÃO FEMININA – COMEÇAVA A MAIORIDADE SOCIAL FEMININA… O MUNDO NUNCA MAIS SERIA O MESMO… PANTALONAS COLORIDAS OU BATAS INDIANAS. VESTIDOS CURTÍSSIMOS E BOTAS DE CANO ALTO. VESTIDOS LONGOS E FOLGADOS. SEMPRE CORES BERRANTES.

AS MÚSICAS ERAM DANÇANTES, DISCOTECAS, NOVELA DANCING DAYS, MAS TAMBÉM ERAM ROMÂNTICAS, POIS O AMOR ESTAVA NA MODA… A DÉCADA COMEÇOU COM O TRICAMPEONATO DO BRASIL NA COPA DO MUNDO DO MÉXICO. A MÚSICA PRA FRENTE BRASIL “NOVENTA MILHÕES EM AÇÃO, PRA FRENTE BRASIL, SALVE A SELEÇÃO…” EMPOLGOU A TORCIDA BRASILEIRA… APESAR DO VIÉS NACIONALISTA MILITAR…

RECORDEMOS ALGUMAS MÚSICAS ROMÂNTICAS QUE FIZERAM SUCESSO E EMBALARAM OS CORAÇÕES DOS JOVENS NAQUELA AGITADA DÉCADA: As Rosas Não Falam (1976);  Apesar de Você (1972); Detalhes (1970); Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida (1970); Canta Canta Minha Gente (1974); Você Abusou (1971); Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos (1971); Força Estranha (1978); Gostoso Veneno (1979); Folhetim (1977); Flor de Lis (1976); Sonho Meu (1978); Amada Amante (1971); Grito de Alerta (1979). Mar de Rosas (1978); A Namorada Que Sonhei (1970).

CERTAMENTE, OS ANOS 70 FORAM TEMPOS INESQUECÍVEIS, DE GRANDES TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS, POLÍTICAS E CULTURAIS. TERMINOU A GUERRA DO VIETNÃ, ACABOU A GUERRA FRIA, MATO GROSSO FOI DIVIDIDO. SUL E NORTE. COMEÇOU O PONTIFICADO DE JOÃO PAULO II, O PAPA PEREGRINO, QUE MUDOU A IGREJA CATÓLICA, RETOMANDO SUA VOCAÇÃO APOSTÓLICA. DEU-SE A LIBERAÇÃO DOS COSTUMES. A JUVENTUDE DESCOBRIU SUA FORÇA, IMPÔS SUA LIBERDADE DE EXPRESSÃO. A MULHER COMEÇOU SUA EMANCIPAÇÃO…

FOI EM MEADOS DA DÉCADA DE 70 QUE INGRESSEI NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMT, ONDE UMA TURMA DE COLEGAS (EU, BENEDITO CORBELINO (VIKA), LUIZ CARLOS GOUVEIA, JOAREZ GOMES, RÉGIS VANDER, HILÁRIO CARLOS, LUIZINHO CORREA, ALAIR NEVES, LUIZA E OUTROS), FAZÍAMOS UMA ANIMADA RODA DE SERESTA ÀS SEXTAS-FEIRAS, AO LADO DA UFMT, NO BARZINHO DA ESQUINA (CARINHOSO), EM  FRENTE À LOJA DA CITY LAR DA FERNANDO CORREA… QUASE SEMPRE LÁ ESTAVA CONOSCO O SAUDOSO MESTRE DE DIREITO CIVIL, DESEMBARGADOR LEÃO NETO DO CARMO… QUE ATÉ COMETIA UMAS CANÇÕES CANTANDO NELSON GONÇALVES.

ESSE FOI UM TEMPO MÁGICO. ONDE AS COISAS ACONTECIAM VERTIGINOSAMENTE. COMECEI A DÉCADA MENINO, INGRESSEI NA FACULDADE EM SUA METADE, GRADUEI-ME EM DIREITO E CASEI-ME AO SEU FINAL. NESSE ENTREMEIO VIVI EXPERIÊNCIAS RIQUÍSSIMAS: TORNEI-ME UM HOMEM. COMECEI A TRABALHAR.  TIVE UM FILHO. VIVI OS EMBALOS MAIS GOSTOSOS DOS SÁBADOS À NOITE DA MINHA VIDA…

DEPOIS DE ENTÃO, O MUNDO NUNCA MAIS FOI O MESMO… FOI-SE UM BELO TEMPO DE MINHA VIDA. DESSES DIAS, FICARAM ETERNIZADOS EM MINHAS LEMBRANÇAS MOMENTOS QUE AINDA HOJE FAZEM A VIDA VALER A PENA… FOI NOS EMBALOS DE UM SÁBADO À NOITE, NO DIA 09 DE DEZEMBRO DE 69, NA FESTA DOS SEUS 15 ANOS, QUE EU DANCEI, PELA PRIMEIRA VEZ, COM A MULHER AMADA , AO SOM DA MÚSICA “A NAMORADA QUE SONHEI”! COMECEI A NAMORÁ-LA NO PRIMEIRO ANO DA DÉCADA. CASAMO-NOS EM 78.

Maurides Celso Leite (Um cuiabano romântico, saudoso dos tempos de sonhos,  aventuras, descobertas e conquistas, que foi a década rica e mágica dos anos 70… dos inesquecíveis  embalos de sábado à noite).

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“FALANDO CUIABANÊS”

No início da década de 70, a chegada da televisão e o  começo do moderno processo de colonização do Estado, trouxeram para Cuiabá um choque cultural.

Levas de migrantes do Sul Maravilha,  com usos, costumes, falares e culturas bem diversos da população nativa, passaram a dominar a cena econômica, política e social local. Os programas de televisão, por sua vez, inundaram as casas, bombardeando a nossa cultura.

Então, a nossa gente simples refluiu em seu linguajar. Muitos de nós chegamos a nos envergonhar do nosso diferente jeito de falar.

Todavia, a partir do movimento cultural Muxirum Cuiabano*, do início da década de 90, Cuiabá pouco a pouco retomou o orgulho dos seus valores. Da sua gente. Das suas tradições.

O cuiabanês passou a ser reconhecido como uma riqueza desta terra. Como um caldo cultural, que mistura o português do colonizador, a fala caipira do Bandeirante, o dialeto do negro africano e a língua-terra do índio bororo.

Puta Merda! – Exclama o cuiabano, diante de uma surpresa. Diante do inesperado. De um perigo raspante.    De um susto. Não é palavrão. Não é xingamento. É a língua. É o povo. Em sua expressão mais pura. Mais genuína. Mais criativa.

Tocera, é o sujeito metido. Convencido. Cuiabano, porém, é simples, sem nem um chiriri de vaidade. Chiriri é pouquinho.

Digoreste é o sujeito bom naquilo que faz. Muito capaz. Talentoso. O cuiabano teve que ser bem digoreste para fazer civilização em um rincão distante. Isolado do litoral. No meio do mato grosso do Brasil Central.

E esta terra produziu iste ouro – de tchapa e cruz – que encheu as burras da coroa portuguesa. Terra rica em ouro. Rica também em criatividade linguística. Iste, quer dizer muito. Tchapa e cruz, quer dizer “genuíno de Cuiabá”. Cuiabano nativo. Tradicional.

Tchá por Deus (admiração, espanto), já falei demais. Ta na hora de parar. Agora quando? Manifesto-me em dúvida, leitor amigo.

Outro dia eu vorto pra falar de bofeira, monzuarte, tabufa e corcoveia.

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* Muxirum Cuiabano – Movimento de Resgate e Fortalecimento da Identidade Cultural Cuiabana.  Muxirum é o jeito cuiabano de falar mutirão.  Trabalho coletivo e solidário em prol de uma pessoa ou comunidade.

Fonte: Equipe Soul Cuiabano

Autor: Maurides Leite

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Festa do Divino Espírito Santo 2012 – Coxipó do Ouro

“Os devotos do Divino vão abrir sua morada, pra bandeira do menino, ser bem vinda, ser louvada. Deus nos salve esse devoto pela esmola em vosso nome, dando água a quem tem sede, dando pão a quem tem fome”

Esta é uma singela homenagem que a equipe do blog Soul Cuiabano dedica à todos que tornaram essa festa possível.

Reconstruir com fé a tradição de um povo.

Monumento homenageando a 1ª missa realizada em Mato Grosso no ano de 1721.

 

Primeira capela de Cuiabá – Igreja Nossa Senhora da Penha e França

 

Cultura e Tradição – Cavaleiro Abençoado

 

Fé e devoção.

 

Procissão com muita fé percorrendo casas e chácaras na comunidade do Coxipó do Ouro.

 

Altar com a imagem de Nossa Senhora da Penha e França

 

Bandeira de São Benedito

 

Festeiros de São Benedito – Capitão do Mastro(Davi de Souza), Alferes da bandeira(Josefa de Paula), Rei(Maurides Leite)

 

Festeiros Nossa Senhora do Rosário – Evandro Perrot(Rei), Fransica Amorim(Alferes da bandeira), Eliane de Souza(Rainha), Francisco Barros(Capitão do Mastro)

 

Francisca Amorim ladeada por sua mãe Mirtes Amorim e Ana Pedroso, duas matriarcas de tradicionais famílias do Coxipó do Ouro

 

Os festeiros do Divino colocando o estandarte para o levantamento do mastro

 

Maurides Leite levando a benção da coroa de São Benedito para sua esposa Mariley Leite

 

Francisco e Rosangela ao lado de Nossa Senhora do Rosário

 

Festeiros, amigos e família Almeida Leite sendo abençoados

 

Chegada da cavalgada

 

Caminho para a benção.

 

Benção aos cavaleiros

 

Três Bandeiras – São Benedito, Divino Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário

 

Colaboradores da festa

 

Almoço Beneficente

 

Equipe de colaboradores servindo o almoço para a comunidade.

 

Colaboradores – Felipe Miranda e Mariley Leite

 

Bingo Beneficente

 

 

 

 

 

 

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O resgate da tradição religiosa-cultural da terra-mãe de Cuiabá, o Arraial de Forquilha.

Há cerca de duzentos anos, anualmente, no terceiro final de semana de maio, a comunidade do Coxipó do Ouro realiza a tradicional FESTA DO SENHOR DIVINO. Distante 20 km da Capital, o Coxipó do Ouro é uma aprazível localidade, situada à margem do rio de mesmo nome, em cujas águas, límpidas e frias, o cuiabano se refresca do calor, nos finais de semana. Filha dileta do Coxipó do Ouro, Cuiabá nasceu do Arraial de Forquilha, criado pelo Bandeirante Paulista, PASCOAL MOREIRA CABRAL, no dia 08 de abril de 1719.

Eu conheci essa festa no início da década de 70, quando ainda namorava a minha atual esposa, Mariley. Naqueles tempos, Cipriano de Freitas, André de Freitas, Tenente João Pedroso, Mario Amorim, Adolfo Vilela e tantos outros, eram os troncos das famílias tradicionais da localidade, e se sucediam na responsabilidade pela realização da festa.

Eram três dias de festa. De muita fartura, muita comida, música, dança e alegria. Vinha gente de todas as partes. De Cuiabá, de Chapada dos Guimarães e de outros municípios. A Comida era gratuita, gostosa e abundante. Trabalhava-se dia e noite. Durante o baile de sábado, havia o Leilão de Mesa das prendas doadas pelos fiéis e colaboradores. No baile, regado a cerveja, licor de leite e cachaça, o famoso arrastapé comia solto a noite inteira. No domingo, havia missa, almoço e leilão de gado.

Infelizmente, os patriarcas se foram para o andar de cima e as novas gerações, com o tempo, perderam o encanto com a comunidade. Pouco a pouco a festa se tornou um tímido arremedo daquele acontecimento de outrora. O Ranchão foi derrubado. A velha Igreja quase caiu. Os apetrechos utilizados na realização da festa ou estragaram ou desapareceram.

Visando o resgate dessa tradição religiosa e cultural da comunidade-mãe-de-Cuiabá, um grupo de filhos naturais e adotivos do Coxipó do Ouro resolveu retomar, com todas as pompas e circunstâncias, a realização das FESTAS DO SENHOR DIVINO, DE SÃO BENEDITO E NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO, como eram realizadas antigamente.

Este ano, a festa vai ocorrer nos próximos dias 18, 19 e 20 de maio. Na sexta-feira, à noite, haverá o LEVANTAMENTO DOS MASTROS e a realização da tradicional REZA CANTADA. No sábado, a esmola do Divino irá percorrer as casas e chácaras da comunidade, encerrando a arrecadação de donativos para a festa. Ao meio dia, haverá almoço para todos os que estiverem trabalhando na realização da festa. À noite, haverá celebração na igreja, depois, o jantar e, a partir das 21:00 horas, o grandioso baile, animado por vários artistas regionais: Banda Viola de Cocho, Roberto Lucialdo, Dílson Miranda, Gilmar Fonseca, João Eloy, etc.

No domingo, pela manhã, haverá procissão na comunidade, seguida de missa na igreja. O almoço deverá ser servido a partir de meio dia. Durante o almoço haverá música no salão de festas. Ao mesmo tempo, será realizado o BINGO, com cinco prêmios. A Cavalgada do Divino, vindo de Serra Acima, da Chapada dos Guimarães, pela antiga trilha dos tropeiros, deverá chegar na comunidade por volta das 11 horas.

Os recursos arrecadados com a festa deverão ser aplicados em obras e serviços de recuperação e de construção do salão de festas, da cozinha, do salão de refeições, dos banheiros, do muro e da igreja, com o objetivo de que, a partir do próximo ano, já se tenha condições de se realizar uma festa mais condigna com a grandeza das antigas festas do Coxipó do Ouro.

OXALÁ, as autoridades públicas deste Município e deste Estado, tocados pela Luz do Espírito Santo, pela humildade de São Benedito e pelo Imaculado Coração de Maria, se sensibilizem com a situação de abandono do Coxipó do Ouro e da nossa tradição religiosa e destinem para lá um olhar administrativo-democrático-cristão capaz de trazer a comunidade para a modernidade do asfalto, do transporte coletivo, da segurança pública, da comunicação virtual, e da preservação histórico-cultural a que faz jus o velho ARRAIAL DE FORQUILHA.

Assim seja! Amém!

Fonte: Soul Cuiabano

Autor: Maurides Celso Leite
Um cuiabano-chapadense com raízes sentimentais no “ARRAIAL DE FORQUILHA”.

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