Histórico

“AGORA É LÉO!”

Nunca uma expressão se fez tão feliz e oportuna quanto o bordão, “Agora é Léo!”

Essa voz altissonante da nova OAB-MT ressoa fundo, perto e longe, aqui e acolá. Naturalmente. De modo espontâneo!

Na verdade, o “Agora é Léo!” é mais do que um bordão! É a constatação de que aqui e agora é o tempo de fazer a hora e de não esperar acontecer.

O “Agora é Léo!” sinaliza, claramente, para um novo tempo, de fazejamento e compromisso, em que a OAB-MT, mais do que nunca, precisa estar sintonizada com os anseios dos advogados e com as lutas da sociedade.

A expressão “Agora é Léo” é um achado… De um pequeno grande líder que se forjou nas lides da advocacia e da OAB-MT, nas quais se nutriu de todos os talentos e competências necessárias para ser o homem da vez na direção da Casa dos Advogados.

Pertinente recitar uma conhecida parêmia popular: “Antes da hora não é hora! Depois da hora não é hora! A hora tem que ser na hora!

E a hora da nova OAB-MT é agora! E Léo, caros colegas, é o homem certo, na hora certa, no lugar certo, para gerir a nossa casa.

Agora é Léo!”

E vamos todos a bordo dessa idéia construir um novo tempo na OAB-MT, pois, “quem sabe faz a hora e não espera acontecer”!

Agora é Léo!”

Leonardo Campos, para Presidente da OAB-MT

Maurides Celso Leite (um advogado trintenário na OAB-MT, rendendo homenagem a um jovem, experiente, competente e bem sucedido advogado, Leonardo Campos, que reúne os melhores predicados para presidir a OAB borora e para fazê-la brilhar nos cenários institucional, social e democrático deste país).

 

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Troca-Troca

Literalmente, a expressão acima designa qualquer tipo de troca que se realize entre duas ou mais pessoas, o que, aliás, remonta aos primórdios da humanidade, pois antes do advento da moeda, os homens se viam obrigados a trocar coisas e objetos entre si, a fim de proverem as suas necessidades de sobrevivência. Trocava-se o machado de pedra, pelo couro de um animal. Trocava-se uma lança por um pouco de comida. E assim ia.

A despeito da criação da moeda, esse costume varou os tempos, chegando ao mundo contemporâneo. Atualmente, troca-se de tudo: de bens; de casais; de serviços; de partidos políticos; de ideologia; de religião, de caráter; de princípios. Já se troca até de órgãos. Daqui a pouco se trocará de corpo… De alma, acredito que não se poderá trocar….

Viajando no tempo, retorno às décadas de 60 e 70, nas quais dois tipos de troca-trocas eram muito comuns entre jovens e crianças: o troca-troca de gibis e o troca-troca de figurinhas. Naquele tempo, quase todo guri tinha um álbum de figurinhas e uma coleção de gibis. Levar os gibis, lidos e/ou repetidos para as portas dos cinemas, para trocar com gibis de outros meninos, era uma gostosa diversão. Os álbuns de figurinhas também demandavam um necessário troca-troca de figurinhas repetidas, que possibilitava preencher os vazios dos álbuns… Aquela figurinha difícil, a carimbada ou a oficial, às vezes podia ser encontrada e trocada com outras de igual raridade que alguém tinha e outro não.

Era uma diversão sadia, que permitia aos jovens e crianças estabelecerem relacionamentos sociais e desfrutar de uma dinâmica positiva de aprendizado… Um gibi de faroeste, por exemplo, permitia viajar pelas aventuras da ocupação do Oeste Americano; Um gibi de Tarzam trazia informações importantes sobre a África misteriosa e sua multiplicidade de animais. Trazia valiosos ensinamentos sobre a necessidade de preservação ambiental. Um álbum de figurinhas sobre a Copa do Mundo, podia contar a história do futebol brasileiro e dos seus grandes craques. Um álbum, sobre Mato Grosso, podia conter informações sobre a história, a geografia e as riquezas naturais do Estado.

O troca-troca provém da própria natureza humana: uma busca de satisfação de suas necessidades e carências, de superação de seus medos e limitações. Por isso o troca-troca não pode ficar confinado aos escaninhos da vergonha ou escondido sob os pudores do falso moralismo. Se há uma popular conotação pejorativa em um de seus significados, qual seja, a relação sexual entre meninos, comum na idade pré-adolescente dos infantes, há que se reconhecer que, também ai, se revela a complexidade da alma humana, de um ser sempre em busca de si mesmo, principalmente quando se olha  no reflexo de seus semelhantes.

Ainda bem que a roupagem nova do troca-troca desmistifica a expressão e invade a modernidade das novas gerações, através de sites de troca-trocas na internet, como o www.trocatrocabrasil.com.br e como o trocaetroca.com.br, que são canais abertos à desenvoltura dos internautas, facilitando a vida de todos com infinitas possibilidades de trocas. Trocam-se roupas. Casas na Praia. Muletas e Bengalas. Troca-se de amor, como canta a letra da música dos The Fevers:

                                                                                                                                                  “Troco um grande amor que não está se dando bem                                                                                                                                                                                                                                                                               Aceito um sentimento original, se você tem                                                                                                                                                                                                                                                                                              Quero garantia e recuso imitação                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Me faça sua oferta e traga toda a emoção                                                                                                                                                                                                                                                                                           Troca, troca, troca, troca, troca de amor                                                                                                                                                                                                                                                                                            Vira e mexe, troca, troca um novo sabor                                                                                                                                                                                                                                                                                            Troca, troca, troca, troca, troca de amor                                                                                                                                                                                                                                                                                                         De onde vier, seja onde for”

Maurides Celso Leite (um cuiabano de convicções firmes, que não são trocáveis por nada, menos ainda por vantagens efêmeras ou por falsos valores, mas que enriqueceu sua alma trocando a ignorância pela sabedoria, a grosseria pela gentileza, o ódio pelo perdão, a vingança pela justiça, a paixão pelo amor).

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No Tempo dos Carros de Praça

Quando menino, pelos meados da década de 60, morava no Bairro do Baú, cujas ruas não tinham calçamento, como a maioria das ruas dos “arrabaldes” de Cuiabá. Eram ruas de terra, cheias de pó, esburacadas pelas chuvas. Então, não havia sistema de transporte coletivo, como hoje se conhece. O transporte de passageiros era feito através de veículos-lotação, na maior parte das vezes, Kombis Volksvagem, ou através de alguns poucos “carros de praça” que existiam na cidade.

Eu me recordo de três “choferes de praça” que moravam nas imediações do Baú: Seu Gonçalo, que residia na Rua Vila Maria, no larguinho, vizinho da Professora Demitilde e de seu Delfino Bocó. Ao lado de onde é, hoje, o Fato – Curso Preparatório para Concursos,  já na divisa com o centro da cidade. O outro, Seu Ricardo, pai do meu amigo Amauri, que morava no Beco, entre a Rua de Baixo e a Rua do Meio, perto do Hotel Baia e da Ponte de João Gomes. Limite do centro com o Bairro do Baú. Por fim, Tuca Farofa, que veio a ser nosso vizinho, na Rua Tenente Coronel Duarte, hoje, Rua Osório Duque Estrada, próximo de onde funciona o Hospital Ortopédico e de onde ficava a casa de dona Juja, a famosa cozinheira de São Benedito.

Seu Gonçalo era turrão. Não gostava de levar passageiro bairro adentro, para não sujar seu carro de praça de poeira ou lama. Se quisesse, ele fazia a corrida, mas somente até a entrada do bairro, nas imediações da Ponte de João Gomes. Seu Ricardo, apesar de um pouco ranzinza, já era mais maleável. Se a corrida fosse boa, aceitava o passageiro e se aventurava entre os buracos e poças de lama que a água de chuva espalhava pelo bairro. Tuca Farofa, como morador do bairro, não impunha restrições. Era mais pragmático e boa praça. Pagando, levava o passageiro ao bairro e ainda lhe contava boas estórias. Isso tudo eu sei de experiência própria, através das peripécias que vivi, menino e adolescente, nas andanças com meus pais, nos vai-e-vem com os amigos, ou através das histórias contadas pelos mais velhos, como o meu saudoso sogro, Anísio.

Chofer é um aportuguesamento da expressão francesa, “CHAUFFEUR”, que significa, resumidamente, condutor de veículo. Carro de Praça era como se chamava o táxi de hoje. O preço da corrida era estabelecido por acordo. O passageiro dava o local de destino e o CHOFER dizia qual era o preço a ser pago. Você podia regatear pra conseguir melhor preço, o que dependeria dos seus argumentos e da boa vontade do chofer.

Apesar das dificuldades de locomoção, a vida era boa. Você empoeirava os pés, enlameava os sapatos, sujava as roupas, mas tinha liberdade de viver. De ir e vir sem sobressaltos. Ninguém se preocupava com trombadinhas ou arrastões… que não os havia. A notícia ruim custava a chegar. Às vezes, quando chegava, já não era mais tão ruim assim. Diferente de hoje em que a notícia é capaz de chegar antes dos fatos. Virtualmente. O mundo surreal que o pintor espanhol Salvador Dali imortalizou em suas telas, modernamente ganhou contornos de realidade virtual. A internet nos aproxima da informação, mas nos distancia dos fatos. Hoje vivemos a realidade-do-faz-de-conta.

Diante das atribulações atuais, chego a sentir saudades dos tempos em que as ruas não tinham calçamento e o chofer de praça não se atrevia a entrar com o seu Ford, seu Chevrolet ou seu Simca Chambord preto nas maltratadas ruas do meu bairro… E eu tinha que caminhar, empoeirando os pés ou sujando-os de barro, para ir ao cinema ou para passear na fonte luminosa da Praça Alencastro… Naqueles tempos, tínhamos os pés no chão! Literalmente!

Consola-me, porém, o fato de que esse mesmo instrumento digital que me intimida e me lança ao mundo virtual, resgata-me do passado lembranças, fatos e informações que se projetam – registradas – na memória eletrônica dessa prodigiosa (in)consciência coletiva que alarga os horizontes da humanidade. Hoje faço as minhas corridas a bordo  de um GIGABYTE, sem sair do lugar. Mas, de vez em quando, tomo um carro de praça, só pra atiçar as lembranças e exercitar os neurônios.

Maurides Celso Leite (um guri cuiabano dos anos 60, que se envereda nas modernas trilhas dos sítios da internet, recordando-se, nostálgico, dos tempos em que se aventurava nas trilhas de barro que levavam às cacimbas de água no sítio da vovó Joaninha, no Quebra-Pote).

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Calor de Fritar os Miolos

Nos bons tempos dos meus pais, quando a ciência dos mais velhos, construída sobre vivências ancestrais, era valorizada e respeitada, já se dizia que o calor abrasador do sol cuiabano era capaz de FRITAR OS MIOLOS dos incautos e desavisados… Ficar exposto ao sol, além de provocar malina, podia deixar a pessoa com problemas de cabeça…

Os mais antigos tinham o domínio da natureza em geral e da natureza humana, em particular… Naqueles tempos, não havia tantas coisas e informações a distrair o homem do aprendizado de si mesmo e da inteiração com o seu habitat natural… O saber verdadeiro era o autoconhecimento. O conhecimento do homem e da natureza. Essa era a fonte da sabedoria popular.

Havia o saber das Benzedeiras como Dona Brandina e Dona Beleca. Em nosso meio existiam centenas de pessoas iguais a elas. Simples. Iluminadas. Bondosas. Inspiradas. Sintonizadas com Deus. Capazes de perscrutar a alma humana e extrair delas revelações, sonhos, desejos, fragilidades, e de envolve-las em palavras de fé, rezas e orações, que tinham propriedades curativas para suas carências e necessidades.

Chá de Folha de Laranjeira, era calmante. Queimada de Casca de Laranja, curava gripe. Infusão de Folha de Eucalipto era boa pra tosse, bronquite e sinusite. Gemada era um viagra caipira. Mulher de regra (menstruada) não podia lavar a cabeça. As parteiras, como Dona Micaela, traziam ao mundo as crianças, sem sustos. A mulher parida ficava de resguardo, tomando canja de galinha. Dava-se tempo à natureza para fazer o seu trabalho. Para restaurar a força e a energia da mulher. Para a vida retomar seu curso natural.

A água se armazenava em potes e talhas de cerâmica, dentro de casa. Estava sempre fresquinha. Tomava-se uma gostosa água de moringa… Minha mãe até hoje conserva esse hábito saudável… Não toma refrigerantes e nem água gelada. Gerou sete filhos. Seis nascidos em casa. Com parteira. Tem 17 netos e 17 bisnetos. Aos 81 anos, continua forte e lúcida. Em harmonia com a natureza. Em harmonia com Deus.

O calor era mais suportável porque não havia o asfalto que armazena calor e não retém umidade. Também não havia um enorme buraco na camada de ozônio que protege a terra. E o efeito estufa ainda não havia alarmado o mundo com o aumento do aquecimento global. O clima cuiabano era bem quente, mas nem tanto. Então, o sol não causava tanto estrago porque a camada de ozônio ainda não havia sido estuprada pelos gases CFC’s… As geleiras ainda não estavam ameaçadas pelo aumento da temperatura do planeta.

O calor fritava os miolos, mas havia água em abundância pra gente se refrescar. O rio Cuiabá oferecia uma água limpa e fresca, com muitos locais onde ricos e pobres podiam se banhar. No Coxipó da Ponte, de águas claras e frias, tinha a Praia Rica, onde as famílias faziam piqueniques nos finais de semana. No Cuiabá, havia a Praia do Pacheco, na Cidade Alta, onde passei bons momentos da minha adolescência. Em Santo Antonio, aconteciam temporadas de praia bastante concorridas e animadas. E ainda tínhamos o Rio dos Peixes, o Mutuca, o Rio Claro, a Salgadeira e outros recantos mais, que hoje estão sonegados ao uso do povo. Infelizmente, a incompetência, a ganância, a poluição e os males do  progresso tiraram do nosso alcance o usufruto desses paraísos das águas.

Hoje o sol frita os miolos dos desprevenidos e coloca em risco a saúde do homem. O câncer de pele, que nunca me preocupara antes, quando jogava, sob um sol a pino, as minhas peladas diárias no campo do RANCA TOCO ou QUEBRA-DEDO, agora é uma ameaça que paira sobre todos… A falta de diálogo entre o homem e a natureza levou a essa situação alarmante. Esse calor de fritar os miolos, entretanto, ainda pode ser domado. Basta que o homem se reconcilie com a natureza, passe a pensar no próximo como em si mesmo e procure legar ao mundo a paz, a segurança e o conforto que almeja para os seus… Falta amor, irmãos! Falta Deus!

Maurides Celso Leite (um Cuiabano que se banhava nas águas do Cuiabá, do Coxipó da Ponte, do Córrego da Prainha, do Córrego da Laje, do Córrego do General, e que hoje chora a destruição dessas riquezas naturais, com os olhos ardendo pela fumaça das queimadas que devastam o Cerrado, onde colhia marmelada e algodãozinho, ouvindo o cantar da Juriti).

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Nos Embalos de Sábado à Noite

NO INÍCIO DA DÉCADA DE 70, O MOVIMENTO HIPPIE – DE PAZ E AMOR – PREGAVA A PRESERVAÇÃO DA NATUREZA, O FIM DA GUERRA DO VIETNÃ, A LIBERDADE SEXUAL, A INFORMALIDADE DE VIVER A VIDA SEM COMPROMISSOS “CARETAS”. SE ERA UMA ÉPOCA DE CONTESTAÇÃO DO STATUS QUO, TAMBÉM ERA UMA ÉPOCA DE ROMANTISMO…

OS HOMENS COMEÇARAM A DEIXAR DE SER FORMAIS OU CARETAS E ADERIRAM À MODA DO CABELO COMPRIDO OU BLACK POWER, SAPATOS PLATAFORMA, CALÇAS BOCA DE SINO, ROUPAS COLORIDAS – PSICODÉLICAS, COMO SE DIZIA… ATÉ AS LUZES MULTICORES E FAISCANTES DAS BOATES, ERAM DITAS PSSICODÉLICAS – PRA DANÇAR BEE GEES, FRED MERCURY OU JOHN TRAVOLTA, OU OS NACIONAIS, OS INCRÍVEIS, RENATO E SEUS BLUE CAPS, THE FEVERS, TIM MAIA, A TURMA DA JOVEM GUARDA.

AS MULHERES DESLANCHARAM NA PÍLULA ANTICONCEPCIONAL, SÍMBOLO DA LIBERDADE SEXUAL E DA EMANCIPAÇÃO FEMININA – COMEÇAVA A MAIORIDADE SOCIAL FEMININA… O MUNDO NUNCA MAIS SERIA O MESMO… PANTALONAS COLORIDAS OU BATAS INDIANAS. VESTIDOS CURTÍSSIMOS E BOTAS DE CANO ALTO. VESTIDOS LONGOS E FOLGADOS. SEMPRE CORES BERRANTES.

AS MÚSICAS ERAM DANÇANTES, DISCOTECAS, NOVELA DANCING DAYS, MAS TAMBÉM ERAM ROMÂNTICAS, POIS O AMOR ESTAVA NA MODA… A DÉCADA COMEÇOU COM O TRICAMPEONATO DO BRASIL NA COPA DO MUNDO DO MÉXICO. A MÚSICA PRA FRENTE BRASIL “NOVENTA MILHÕES EM AÇÃO, PRA FRENTE BRASIL, SALVE A SELEÇÃO…” EMPOLGOU A TORCIDA BRASILEIRA… APESAR DO VIÉS NACIONALISTA MILITAR…

RECORDEMOS ALGUMAS MÚSICAS ROMÂNTICAS QUE FIZERAM SUCESSO E EMBALARAM OS CORAÇÕES DOS JOVENS NAQUELA AGITADA DÉCADA: As Rosas Não Falam (1976);  Apesar de Você (1972); Detalhes (1970); Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida (1970); Canta Canta Minha Gente (1974); Você Abusou (1971); Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos (1971); Força Estranha (1978); Gostoso Veneno (1979); Folhetim (1977); Flor de Lis (1976); Sonho Meu (1978); Amada Amante (1971); Grito de Alerta (1979). Mar de Rosas (1978); A Namorada Que Sonhei (1970).

CERTAMENTE, OS ANOS 70 FORAM TEMPOS INESQUECÍVEIS, DE GRANDES TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS, POLÍTICAS E CULTURAIS. TERMINOU A GUERRA DO VIETNÃ, ACABOU A GUERRA FRIA, MATO GROSSO FOI DIVIDIDO. SUL E NORTE. COMEÇOU O PONTIFICADO DE JOÃO PAULO II, O PAPA PEREGRINO, QUE MUDOU A IGREJA CATÓLICA, RETOMANDO SUA VOCAÇÃO APOSTÓLICA. DEU-SE A LIBERAÇÃO DOS COSTUMES. A JUVENTUDE DESCOBRIU SUA FORÇA, IMPÔS SUA LIBERDADE DE EXPRESSÃO. A MULHER COMEÇOU SUA EMANCIPAÇÃO…

FOI EM MEADOS DA DÉCADA DE 70 QUE INGRESSEI NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMT, ONDE UMA TURMA DE COLEGAS (EU, BENEDITO CORBELINO (VIKA), LUIZ CARLOS GOUVEIA, JOAREZ GOMES, RÉGIS VANDER, HILÁRIO CARLOS, LUIZINHO CORREA, ALAIR NEVES, LUIZA E OUTROS), FAZÍAMOS UMA ANIMADA RODA DE SERESTA ÀS SEXTAS-FEIRAS, AO LADO DA UFMT, NO BARZINHO DA ESQUINA (CARINHOSO), EM  FRENTE À LOJA DA CITY LAR DA FERNANDO CORREA… QUASE SEMPRE LÁ ESTAVA CONOSCO O SAUDOSO MESTRE DE DIREITO CIVIL, DESEMBARGADOR LEÃO NETO DO CARMO… QUE ATÉ COMETIA UMAS CANÇÕES CANTANDO NELSON GONÇALVES.

ESSE FOI UM TEMPO MÁGICO. ONDE AS COISAS ACONTECIAM VERTIGINOSAMENTE. COMECEI A DÉCADA MENINO, INGRESSEI NA FACULDADE EM SUA METADE, GRADUEI-ME EM DIREITO E CASEI-ME AO SEU FINAL. NESSE ENTREMEIO VIVI EXPERIÊNCIAS RIQUÍSSIMAS: TORNEI-ME UM HOMEM. COMECEI A TRABALHAR.  TIVE UM FILHO. VIVI OS EMBALOS MAIS GOSTOSOS DOS SÁBADOS À NOITE DA MINHA VIDA…

DEPOIS DE ENTÃO, O MUNDO NUNCA MAIS FOI O MESMO… FOI-SE UM BELO TEMPO DE MINHA VIDA. DESSES DIAS, FICARAM ETERNIZADOS EM MINHAS LEMBRANÇAS MOMENTOS QUE AINDA HOJE FAZEM A VIDA VALER A PENA… FOI NOS EMBALOS DE UM SÁBADO À NOITE, NO DIA 09 DE DEZEMBRO DE 69, NA FESTA DOS SEUS 15 ANOS, QUE EU DANCEI, PELA PRIMEIRA VEZ, COM A MULHER AMADA , AO SOM DA MÚSICA “A NAMORADA QUE SONHEI”! COMECEI A NAMORÁ-LA NO PRIMEIRO ANO DA DÉCADA. CASAMO-NOS EM 78.

Maurides Celso Leite (Um cuiabano romântico, saudoso dos tempos de sonhos,  aventuras, descobertas e conquistas, que foi a década rica e mágica dos anos 70… dos inesquecíveis  embalos de sábado à noite).

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“CATADORES DE ESPERANÇAS”

Que a chuva seja uma bênção dos céus não há quem o possa negar. Nem mesmo o mais empedernido dos ateus! Afinal de contas, a chuva é água e água é vida para os homens e para a terra.

Na minha infância, porém, a chuva era mais que água. Era uma dádiva Divina que abria corredeiras na terra, oferecendo aos cuiabanos minúsculas pepitas de ouro…

Após a chuva, os moradores do bairro saiamos pelas ruas, a maioria sem calçamento, para catar ouro… Isso mesmo, ouro de aluvião, que escorria pelos filetes de água que sulcavam o solo por todos os lugares!

As pessoas se acocoravam no meio da rua, com um pedaço de madeira ou uma lamina de metal, revirando o cascalho, a areia, em busca de fragmentos de ouro que a enxurrada fazia brotar do coração da terra.

Eu morava no Bairro do Baú, próximo do Córrego da Prainha e da Ponte da Confusão, onde ruas sem calçamento, um solo com muito pedregulho e bastante declives, criavam um ambiente propício para essa animada garimpagem urbana.

 Trago indelével na mente a lembrança de alguns desses catadores, personagens marcantes de minha infância: Seu Dito de Dona Cidu – sisudo e rabugento; Seu Zé Canhambola – animado e bem humorado; Seu Pedro Chagas – ativo e conversador; Seu Sebastião Farias – austero e unha de fome; Seu Anísio Almeida (meu sogro) – falante e contador de histórias; Seu Antonio de Dona Nhanhá – calado e sério.

Com eles aprendi a recolher em um vidrinho de remédio específico os fragmentos de ouro que encontrava. Para mim e meus amigos de infância (Juvi, Juca, Altamir, Nego, Dega, etc), o pós chuva era uma festa, pois nos dava a oportunidade de conseguir dinheiro para o ingresso do cinema e do circo e para a compra de guloseimas.

Nos divertíamos catando ouro e competindo uns com os outros para ver quem tinha mais sorte… Mesmo não encontrando grandes quantidades e nem pepitas valiosas, cada pedacinho de ouro que recolhíamos naqueles vidros somavam sonhos em nossos corações, alimentavam fantasias em nossas mentes… A vida não era fácil, mas naquele jeito simples de ser encontrávamos alegria de viver…

Aqueles eram momentos que nos enchiam de alegria e nos faziam crer no amanhã. Nossas almas se faziam leves, fáceis de serem elevadas até Deus. Catando ouro na rua, ninguém buscava riquezas materiais… Buscávamos a vida. Éramos catadores de esperanças!

Infelizmente, em nome do progresso, as ruas ganharam calçamento e o asfalto pôs fim à catação de ouro pelas ruas da cidade. A esperança não podemos mais encontra-la em coisa tão singela. Nem se pode mais catá-la no meio da rua… A chuva ainda é uma bênção… A cidade e os homens é que não são mais os mesmos!

Maurides Celso Leite (um garimpeiro cuiabano que catava esperanças pelas ruas da cidade, prospectando sonhos de um futuro feliz, no tempo em que a vida comunitária fazia dos vizinhos amigos e da convivência diária um exercício permanente de solidariedade e de camaradagem).

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“O PRAZER DE SER CUIABANO”

Ser Cuiabano é um prazer

Que se come no Pacu Assado com recheio de Farofa de Couve

E que se delicia na Mojica de Pintado com Farofa de Banana.

Ser Cuiabano é um prazer,

Que se farta na Maria Isabel com Paçoca de Pilão e Feijão Empamonado

E que se rende à gula no  Ensopadão quentinho.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se experimenta no famoso Doce de Caju

E que se espanta no – só nosso – Furrundú.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se saboreia na Manga perpitola colhida no quintal de casa

E que se bebe no Licor de Pequi degustado pós refeição.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se sente no ranger da Rede Cuiabana, balançando na varanda,

E que se ouve no som do pau-de-guaraná-ralando-na-glosa, de manhãzinha.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se dança no animado arrasta-pé do Rasqueado

E que se embala ao som do Siriri e do Cururu nas festas ribeirinhas.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se inicia com a vida que o rio entrega à cidade-mãe

E que se perpetua na água  que mata a sede da cidade-filha.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se expressa na beleza desse céu sempre azul

E que se explica no calor humano dessa cidade quente.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se revela na alma alegre de nossa gente.

Ser Cuiabano é um prazer…

Que se sente… Que se sente.

Maurides Celso Leite (um homem abençoado que carrega na alma os sabores da terra e que, por isso, desfruta do inigualável  PRAZER DE SER CUIABANO).

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“AMOR CUIABANO”

Há tanto tempo morando em tua casa.

Há tantos anos vivendo em teus braços

E só hoje escancaro ao mundo o meu amor por ti.

Esse sentimento que guardei no  anonimato do meu peito

E que se revela no inconsciente coletivo

Dos teus outros tantos amores.

Verdade que nunca tive ciúmes

Que outros também te amassem,

 Pois orgulha-me ver-te tão querida!

Sinto-me feliz também por corresponderes

Ao amor de tantos homens.

Por te desvelares em carinho

Até por aqueles que te são ingratos.

Sucede que ninguém resiste a esse teu jeito brejeiro e sensual,

 Que arrebata mentes e corações…

Que nos deixa perdidos nos teus intrincados caminhos

E atônitos nos altos e baixos de tuas saliências e reentrâncias…

Mesmo sendo rica e bela

Tu não desprezas nem o mais miserável dos teus amantes.

Nunca negas a proteção do teu colo opulento

 E o regalo do teu corpo aconchegante a nenhum de nós.

Por isso, hoje, em teu aniversário,

Ouso ao mundo revelar

Que minh’alma Cuiabana

Toda inteira se ufana

De te pertencer e amar.

Eu te amo, Cuiabá!

Feliz Aniversário!

Maurides Celso Leite (um cuiabano apaixonado por sua terra, essa morena linda e trigueira, quase tri-centenária, que, mãe, mulher, amante e companheira, lhe deu um berço aquecido, aconchegante e feliz, no qual foram acarinhados todos os seus filhos e netos).

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A POSSIBILIDADE “LAURITA” OU “CASCABUIA” DE SER FELIZ

Na aurora da minha vida, quando o descompromisso da infância enchia de ilusões, devaneios e sonhos todas as horas do meu dia, ser feliz era uma possibilidade ao alcance da mão. A felicidade era quase uma consequência lógica e natural… Viver e ser feliz.

Nas peladas de rua com os amigos, nas brincadeiras de soltar pipa (pagagaio ou pandoga, como dizemos os cuiabanos), ou no jogo de bolita (bolinha de gude, para os paus rodados), havia uma inabalável certeza de ser feliz…

A única dúvida era se a vida ia ser “LAURITA” ou “CASCABUIA”, como os guris cuiabanos distinguiam as bolitas lisas e reluzentes das bolitas cascudas e lascadas.

O caminho para a felicidade poderia ser “LAURITA” OU “CASCABUIA”, segundo os insondáveis desígnios Divinos… Mas, certamente, sempre haveria um caminho. Pairava no ar uma promessa de felicidade… que fatalmente seria cumprida.

Infelizmente, o tempo passou e as coisas mudaram! Hoje, vivemos um tempo de permanente aflição e de angustiante incerteza… E a vida se revela “cascabuia” para todos.

A felicidade já não acena para nós logo adiante… Já não mais parece tão palpável, tão ao alcance das nossas mãos… Por que será que as pessoas crescem? Por que será que deixamos de ser crianças, de acreditar nos sonhos, de confiar no próximo?

Lendo um livro recentemente encontrei um princípio de explicação: o homem deixou de ser simples e desambicioso… A felicidade não a encontramos mais em um mero prato de comida que satisfaz a nossa fome e necessidade de comer.

Queremos uma felicidade sofisticada, de roupas de grife, de casas bonitas, de carros do ano, que coma em restaurantes, que fale idiomas, que viaje pro exterior, que use iphones, smartphones, ipads e ipods.

Perdemos a referência de nós mesmos e de nossas origens porque o TER transcendeu o SER. Fomos vencidos pela Sociedade de Consumo… Hoje vivemos a volúpia da Sociedade de Posses… Só é feliz quem tem!  Por consequência, na modernidade de nossos dias, somos insaciáveis, insatisfeitos e infelizes!

Para mudar esse quadro e retomar o caminho da felicidade será preciso que voltemos à infância, em busca da criança inocente que acreditava na vida e nos homens…

Será preciso volver à simplicidade do jogo de bolita: Não importa se a vida é ‘cascabuia” ou “laurita”, se posso brincar, sou feliz!

 

Maurides Celso Leite (um guri cuiabano saudoso dos tempos em que a felicidade andava de pés no chão, tomava banho nas águas límpidas do córgo da Prainha e trepava nas mangueiras dos quintais em busca de uma manga perpitola).

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A BAGAGEM DO HOMEM DE BEM

Cada pessoa, ao nascer, recebe das mãos de Deus uma bagagem vazia para ir armazenando, vida afora, os frutos que seus talentos permitirem conquistar.

A vida é um processo sucessivo e contínuo de acumulação de valores, bens, sentimentos e sensações. De ganhos e perdas também… Parodiando o cientista francês, Lavoisier, pode-se dizer que, na vida, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

Ao longo de sua caminhada no mundo, o homem vai amealhando conhecimentos e experiências, que pode ou não transformar em sabedoria, em força motriz de crescimento e de desenvolvimento humano.

Em que pese, no curso da vida, tenhamos que enfrentar forças contrárias e hostis, ainda assim depende de cada um de nós armazenar ou não esses elementos em nossas almas, corações e mentes, e convertê-los em instrumentos das nossas vitórias ou derrotas.

O homem não é bom ou mau por uma determinação biológica, histórica ou social… Antes o é por uma opção pessoal… Podemos escolher a face iluminada da vida, o lado do bem, para a realização dos nossos sonhos e projetos, ainda que tenhamos que percorrer um caminho mais difícil e trabalhoso para alcançarmos os nossos objetivos…

Ou podemos escolher o lado do mal, sacrificando consciências e valores éticos e deixando-nos seduzir por vantagens e promessas inconfessáveis, movidos apenas pelo desejo de vitória fácil e a qualquer custo.

O certo é que a opção é nossa.  Se escolhermos um ou outro caminho, os louros e as decepções, o sorriso e o pranto serão de nossa responsabilidade. De mais ninguém! Durante a nossa jornada na terra, pouco a pouco vamos enchendo a nossa bagagem. Se a enchermos de joias valiosas ou de cacarecos imprestáveis, a responsabilidade será somente nossa.

Se o homem fizer suas escolhas pelas réguas da ambição, da vaidade, do prazer, no final de sua jornada, ao invés de portar uma bagagem cheia de grandes e perenes valores, estará carregando às costas um saco furado, por onde terá escorrido a ilusão de seus falsos valores.

Um homem de bem fará suas escolhas pelas réguas do amor, da verdade, da consciência, do labor. Nessa empreitada, Deus será seu fiador, seja ele crente ou não. Ao desembarcar na Estação, estará portando uma bagagem repleta de bens valiosos… Sua recompensa será a paz e a felicidade dos justos.

Ainda há tempo para trocar os cacarecos de sua bagagem por joias legítimas, que são tesouros aos olhos de Deus e fonte da verdadeira felicidade. Adote a Bagagem do Homem de Bem, viva em paz com sua consciência, seja feliz e ajude a transformar o Brasil em uma Estação melhor para todos os seus passageiros!

Maurides Celso Leite (um Cuiabano de Tchapa e Cruz, inconformado com a torrente de indignidades que infelicita este país, filosofando sobre a esperança de que os Homens de Bem ainda possam triunfar e redimir a nação brasileira).

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