No Tempo dos Carros de Praça

Quando menino, pelos meados da década de 60, morava no Bairro do Baú, cujas ruas não tinham calçamento, como a maioria das ruas dos “arrabaldes” de Cuiabá. Eram ruas de terra, cheias de pó, esburacadas pelas chuvas. Então, não havia sistema de transporte coletivo, como hoje se conhece. O transporte de passageiros era feito através de veículos-lotação, na maior parte das vezes, Kombis Volksvagem, ou através de alguns poucos “carros de praça” que existiam na cidade.

Eu me recordo de três “choferes de praça” que moravam nas imediações do Baú: Seu Gonçalo, que residia na Rua Vila Maria, no larguinho, vizinho da Professora Demitilde e de seu Delfino Bocó. Ao lado de onde é, hoje, o Fato – Curso Preparatório para Concursos,  já na divisa com o centro da cidade. O outro, Seu Ricardo, pai do meu amigo Amauri, que morava no Beco, entre a Rua de Baixo e a Rua do Meio, perto do Hotel Baia e da Ponte de João Gomes. Limite do centro com o Bairro do Baú. Por fim, Tuca Farofa, que veio a ser nosso vizinho, na Rua Tenente Coronel Duarte, hoje, Rua Osório Duque Estrada, próximo de onde funciona o Hospital Ortopédico e de onde ficava a casa de dona Juja, a famosa cozinheira de São Benedito.

Seu Gonçalo era turrão. Não gostava de levar passageiro bairro adentro, para não sujar seu carro de praça de poeira ou lama. Se quisesse, ele fazia a corrida, mas somente até a entrada do bairro, nas imediações da Ponte de João Gomes. Seu Ricardo, apesar de um pouco ranzinza, já era mais maleável. Se a corrida fosse boa, aceitava o passageiro e se aventurava entre os buracos e poças de lama que a água de chuva espalhava pelo bairro. Tuca Farofa, como morador do bairro, não impunha restrições. Era mais pragmático e boa praça. Pagando, levava o passageiro ao bairro e ainda lhe contava boas estórias. Isso tudo eu sei de experiência própria, através das peripécias que vivi, menino e adolescente, nas andanças com meus pais, nos vai-e-vem com os amigos, ou através das histórias contadas pelos mais velhos, como o meu saudoso sogro, Anísio.

Chofer é um aportuguesamento da expressão francesa, “CHAUFFEUR”, que significa, resumidamente, condutor de veículo. Carro de Praça era como se chamava o táxi de hoje. O preço da corrida era estabelecido por acordo. O passageiro dava o local de destino e o CHOFER dizia qual era o preço a ser pago. Você podia regatear pra conseguir melhor preço, o que dependeria dos seus argumentos e da boa vontade do chofer.

Apesar das dificuldades de locomoção, a vida era boa. Você empoeirava os pés, enlameava os sapatos, sujava as roupas, mas tinha liberdade de viver. De ir e vir sem sobressaltos. Ninguém se preocupava com trombadinhas ou arrastões… que não os havia. A notícia ruim custava a chegar. Às vezes, quando chegava, já não era mais tão ruim assim. Diferente de hoje em que a notícia é capaz de chegar antes dos fatos. Virtualmente. O mundo surreal que o pintor espanhol Salvador Dali imortalizou em suas telas, modernamente ganhou contornos de realidade virtual. A internet nos aproxima da informação, mas nos distancia dos fatos. Hoje vivemos a realidade-do-faz-de-conta.

Diante das atribulações atuais, chego a sentir saudades dos tempos em que as ruas não tinham calçamento e o chofer de praça não se atrevia a entrar com o seu Ford, seu Chevrolet ou seu Simca Chambord preto nas maltratadas ruas do meu bairro… E eu tinha que caminhar, empoeirando os pés ou sujando-os de barro, para ir ao cinema ou para passear na fonte luminosa da Praça Alencastro… Naqueles tempos, tínhamos os pés no chão! Literalmente!

Consola-me, porém, o fato de que esse mesmo instrumento digital que me intimida e me lança ao mundo virtual, resgata-me do passado lembranças, fatos e informações que se projetam – registradas – na memória eletrônica dessa prodigiosa (in)consciência coletiva que alarga os horizontes da humanidade. Hoje faço as minhas corridas a bordo  de um GIGABYTE, sem sair do lugar. Mas, de vez em quando, tomo um carro de praça, só pra atiçar as lembranças e exercitar os neurônios.

Maurides Celso Leite (um guri cuiabano dos anos 60, que se envereda nas modernas trilhas dos sítios da internet, recordando-se, nostálgico, dos tempos em que se aventurava nas trilhas de barro que levavam às cacimbas de água no sítio da vovó Joaninha, no Quebra-Pote).

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Calor de Fritar os Miolos

Nos bons tempos dos meus pais, quando a ciência dos mais velhos, construída sobre vivências ancestrais, era valorizada e respeitada, já se dizia que o calor abrasador do sol cuiabano era capaz de FRITAR OS MIOLOS dos incautos e desavisados… Ficar exposto ao sol, além de provocar malina, podia deixar a pessoa com problemas de cabeça…

Os mais antigos tinham o domínio da natureza em geral e da natureza humana, em particular… Naqueles tempos, não havia tantas coisas e informações a distrair o homem do aprendizado de si mesmo e da inteiração com o seu habitat natural… O saber verdadeiro era o autoconhecimento. O conhecimento do homem e da natureza. Essa era a fonte da sabedoria popular.

Havia o saber das Benzedeiras como Dona Brandina e Dona Beleca. Em nosso meio existiam centenas de pessoas iguais a elas. Simples. Iluminadas. Bondosas. Inspiradas. Sintonizadas com Deus. Capazes de perscrutar a alma humana e extrair delas revelações, sonhos, desejos, fragilidades, e de envolve-las em palavras de fé, rezas e orações, que tinham propriedades curativas para suas carências e necessidades.

Chá de Folha de Laranjeira, era calmante. Queimada de Casca de Laranja, curava gripe. Infusão de Folha de Eucalipto era boa pra tosse, bronquite e sinusite. Gemada era um viagra caipira. Mulher de regra (menstruada) não podia lavar a cabeça. As parteiras, como Dona Micaela, traziam ao mundo as crianças, sem sustos. A mulher parida ficava de resguardo, tomando canja de galinha. Dava-se tempo à natureza para fazer o seu trabalho. Para restaurar a força e a energia da mulher. Para a vida retomar seu curso natural.

A água se armazenava em potes e talhas de cerâmica, dentro de casa. Estava sempre fresquinha. Tomava-se uma gostosa água de moringa… Minha mãe até hoje conserva esse hábito saudável… Não toma refrigerantes e nem água gelada. Gerou sete filhos. Seis nascidos em casa. Com parteira. Tem 17 netos e 17 bisnetos. Aos 81 anos, continua forte e lúcida. Em harmonia com a natureza. Em harmonia com Deus.

O calor era mais suportável porque não havia o asfalto que armazena calor e não retém umidade. Também não havia um enorme buraco na camada de ozônio que protege a terra. E o efeito estufa ainda não havia alarmado o mundo com o aumento do aquecimento global. O clima cuiabano era bem quente, mas nem tanto. Então, o sol não causava tanto estrago porque a camada de ozônio ainda não havia sido estuprada pelos gases CFC’s… As geleiras ainda não estavam ameaçadas pelo aumento da temperatura do planeta.

O calor fritava os miolos, mas havia água em abundância pra gente se refrescar. O rio Cuiabá oferecia uma água limpa e fresca, com muitos locais onde ricos e pobres podiam se banhar. No Coxipó da Ponte, de águas claras e frias, tinha a Praia Rica, onde as famílias faziam piqueniques nos finais de semana. No Cuiabá, havia a Praia do Pacheco, na Cidade Alta, onde passei bons momentos da minha adolescência. Em Santo Antonio, aconteciam temporadas de praia bastante concorridas e animadas. E ainda tínhamos o Rio dos Peixes, o Mutuca, o Rio Claro, a Salgadeira e outros recantos mais, que hoje estão sonegados ao uso do povo. Infelizmente, a incompetência, a ganância, a poluição e os males do  progresso tiraram do nosso alcance o usufruto desses paraísos das águas.

Hoje o sol frita os miolos dos desprevenidos e coloca em risco a saúde do homem. O câncer de pele, que nunca me preocupara antes, quando jogava, sob um sol a pino, as minhas peladas diárias no campo do RANCA TOCO ou QUEBRA-DEDO, agora é uma ameaça que paira sobre todos… A falta de diálogo entre o homem e a natureza levou a essa situação alarmante. Esse calor de fritar os miolos, entretanto, ainda pode ser domado. Basta que o homem se reconcilie com a natureza, passe a pensar no próximo como em si mesmo e procure legar ao mundo a paz, a segurança e o conforto que almeja para os seus… Falta amor, irmãos! Falta Deus!

Maurides Celso Leite (um Cuiabano que se banhava nas águas do Cuiabá, do Coxipó da Ponte, do Córrego da Prainha, do Córrego da Laje, do Córrego do General, e que hoje chora a destruição dessas riquezas naturais, com os olhos ardendo pela fumaça das queimadas que devastam o Cerrado, onde colhia marmelada e algodãozinho, ouvindo o cantar da Juriti).

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Nos Embalos de Sábado à Noite

NO INÍCIO DA DÉCADA DE 70, O MOVIMENTO HIPPIE – DE PAZ E AMOR – PREGAVA A PRESERVAÇÃO DA NATUREZA, O FIM DA GUERRA DO VIETNÃ, A LIBERDADE SEXUAL, A INFORMALIDADE DE VIVER A VIDA SEM COMPROMISSOS “CARETAS”. SE ERA UMA ÉPOCA DE CONTESTAÇÃO DO STATUS QUO, TAMBÉM ERA UMA ÉPOCA DE ROMANTISMO…

OS HOMENS COMEÇARAM A DEIXAR DE SER FORMAIS OU CARETAS E ADERIRAM À MODA DO CABELO COMPRIDO OU BLACK POWER, SAPATOS PLATAFORMA, CALÇAS BOCA DE SINO, ROUPAS COLORIDAS – PSICODÉLICAS, COMO SE DIZIA… ATÉ AS LUZES MULTICORES E FAISCANTES DAS BOATES, ERAM DITAS PSSICODÉLICAS – PRA DANÇAR BEE GEES, FRED MERCURY OU JOHN TRAVOLTA, OU OS NACIONAIS, OS INCRÍVEIS, RENATO E SEUS BLUE CAPS, THE FEVERS, TIM MAIA, A TURMA DA JOVEM GUARDA.

AS MULHERES DESLANCHARAM NA PÍLULA ANTICONCEPCIONAL, SÍMBOLO DA LIBERDADE SEXUAL E DA EMANCIPAÇÃO FEMININA – COMEÇAVA A MAIORIDADE SOCIAL FEMININA… O MUNDO NUNCA MAIS SERIA O MESMO… PANTALONAS COLORIDAS OU BATAS INDIANAS. VESTIDOS CURTÍSSIMOS E BOTAS DE CANO ALTO. VESTIDOS LONGOS E FOLGADOS. SEMPRE CORES BERRANTES.

AS MÚSICAS ERAM DANÇANTES, DISCOTECAS, NOVELA DANCING DAYS, MAS TAMBÉM ERAM ROMÂNTICAS, POIS O AMOR ESTAVA NA MODA… A DÉCADA COMEÇOU COM O TRICAMPEONATO DO BRASIL NA COPA DO MUNDO DO MÉXICO. A MÚSICA PRA FRENTE BRASIL “NOVENTA MILHÕES EM AÇÃO, PRA FRENTE BRASIL, SALVE A SELEÇÃO…” EMPOLGOU A TORCIDA BRASILEIRA… APESAR DO VIÉS NACIONALISTA MILITAR…

RECORDEMOS ALGUMAS MÚSICAS ROMÂNTICAS QUE FIZERAM SUCESSO E EMBALARAM OS CORAÇÕES DOS JOVENS NAQUELA AGITADA DÉCADA: As Rosas Não Falam (1976);  Apesar de Você (1972); Detalhes (1970); Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida (1970); Canta Canta Minha Gente (1974); Você Abusou (1971); Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos (1971); Força Estranha (1978); Gostoso Veneno (1979); Folhetim (1977); Flor de Lis (1976); Sonho Meu (1978); Amada Amante (1971); Grito de Alerta (1979). Mar de Rosas (1978); A Namorada Que Sonhei (1970).

CERTAMENTE, OS ANOS 70 FORAM TEMPOS INESQUECÍVEIS, DE GRANDES TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS, POLÍTICAS E CULTURAIS. TERMINOU A GUERRA DO VIETNÃ, ACABOU A GUERRA FRIA, MATO GROSSO FOI DIVIDIDO. SUL E NORTE. COMEÇOU O PONTIFICADO DE JOÃO PAULO II, O PAPA PEREGRINO, QUE MUDOU A IGREJA CATÓLICA, RETOMANDO SUA VOCAÇÃO APOSTÓLICA. DEU-SE A LIBERAÇÃO DOS COSTUMES. A JUVENTUDE DESCOBRIU SUA FORÇA, IMPÔS SUA LIBERDADE DE EXPRESSÃO. A MULHER COMEÇOU SUA EMANCIPAÇÃO…

FOI EM MEADOS DA DÉCADA DE 70 QUE INGRESSEI NA FACULDADE DE DIREITO DA UFMT, ONDE UMA TURMA DE COLEGAS (EU, BENEDITO CORBELINO (VIKA), LUIZ CARLOS GOUVEIA, JOAREZ GOMES, RÉGIS VANDER, HILÁRIO CARLOS, LUIZINHO CORREA, ALAIR NEVES, LUIZA E OUTROS), FAZÍAMOS UMA ANIMADA RODA DE SERESTA ÀS SEXTAS-FEIRAS, AO LADO DA UFMT, NO BARZINHO DA ESQUINA (CARINHOSO), EM  FRENTE À LOJA DA CITY LAR DA FERNANDO CORREA… QUASE SEMPRE LÁ ESTAVA CONOSCO O SAUDOSO MESTRE DE DIREITO CIVIL, DESEMBARGADOR LEÃO NETO DO CARMO… QUE ATÉ COMETIA UMAS CANÇÕES CANTANDO NELSON GONÇALVES.

ESSE FOI UM TEMPO MÁGICO. ONDE AS COISAS ACONTECIAM VERTIGINOSAMENTE. COMECEI A DÉCADA MENINO, INGRESSEI NA FACULDADE EM SUA METADE, GRADUEI-ME EM DIREITO E CASEI-ME AO SEU FINAL. NESSE ENTREMEIO VIVI EXPERIÊNCIAS RIQUÍSSIMAS: TORNEI-ME UM HOMEM. COMECEI A TRABALHAR.  TIVE UM FILHO. VIVI OS EMBALOS MAIS GOSTOSOS DOS SÁBADOS À NOITE DA MINHA VIDA…

DEPOIS DE ENTÃO, O MUNDO NUNCA MAIS FOI O MESMO… FOI-SE UM BELO TEMPO DE MINHA VIDA. DESSES DIAS, FICARAM ETERNIZADOS EM MINHAS LEMBRANÇAS MOMENTOS QUE AINDA HOJE FAZEM A VIDA VALER A PENA… FOI NOS EMBALOS DE UM SÁBADO À NOITE, NO DIA 09 DE DEZEMBRO DE 69, NA FESTA DOS SEUS 15 ANOS, QUE EU DANCEI, PELA PRIMEIRA VEZ, COM A MULHER AMADA , AO SOM DA MÚSICA “A NAMORADA QUE SONHEI”! COMECEI A NAMORÁ-LA NO PRIMEIRO ANO DA DÉCADA. CASAMO-NOS EM 78.

Maurides Celso Leite (Um cuiabano romântico, saudoso dos tempos de sonhos,  aventuras, descobertas e conquistas, que foi a década rica e mágica dos anos 70… dos inesquecíveis  embalos de sábado à noite).

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“Meu Encontro Com Santa Terezinha do Menino Jesus”

Há um certo tempo atrás, tive um intrigante sonho com Santa Terezinha do Menino Jesus, também conhecida como Santa Terezinha das Rosas. O inusitado do sonho foi que nunca antes eu tivera qualquer contato com sua história ou com sua devoção… O sonho aconteceu na madrugada de 27 de setembro de 2014, três dias antes da data alusiva à sua morte (30 de setembro).

Foi um sonho maravilhoso em que a imagem de Santa Terezinha, em tamanho natural, percorria uma rua muito larga, cheia de casas, como se estivesse à procura de algo. Eu e algumas pessoas a seguíamos, logo atrás, quase em êxtase, maravilhados diante daquele acontecimento fantástico, daquela visão extraordinária, surpreendente e encantadora.

De repente, Santa Terezinha se vira para o outro lado da rua e desliza resoluta, em linha reta, em direção a uma das casas. Eu, então, saio correndo, vou até à casa para a qual ela se dirige, bato na porta ligeiramente entreaberta, empurro-a para abri-la de vez e vejo duas mulheres que estão na sala. Dirijo-me a elas, ansioso e apressado, pedindo que olhem para fora para verem o que estava acontecendo: a imagem de Santa Terezinha vinha em direção àquela casa.

As duas mulheres, maravilhadas e estupefatas, acolhem alegremente a imagem de Santa Terezinha, dando-lhe um fervoroso e forte abraço. Primeiro ela se deixa abraçar, depois, delicada e decididamente, afasta as mulheres, dá dois passos até atrás da porta, estende o braço a procura de algo, retira lá detrás um saco plástico, cheio de coisas, parece lixo, e estende a mão para entrega-lo a nós. Eu pego aquele saco e o entrego a uma das mulheres, dizendo para se livrarem dele porque era isso o que a Santa estava pedindo.

Em seguida, a imagem de Santa Terezinha sai da casa e começa a deslizar de volta para o outro lado da rua. Nisso, uma das mulheres me pergunta qual o significado daquilo e eu respondo: “Não sei, preciso refletir sobre isso!”

Nesse instante, surge do meu lado dona Josefina Guerra, uma amiga da família, a qual me abraça e diz que foi melhor não dizer nada mesmo porque não entendíamos o significado daquele acontecimento extraordinário.

Em seguida, nós dois caminhamos apressados, na direção seguida por Santa Terezinha… e eu vou pensando que preciso me tornar um homem melhor e no que fazer para isso acontecer

Assim termina o sonho. Assim começa o meu encontro com Santa Terezinha do Menino Jesus. Ainda continuo tateando no escuro, em busca de uma resposta satisfatória, uma explicação razoável  para esse evento fantástico em minha vida.

Depois de refletir por algum tempo, sem decifrar o seu verdadeiro sentido, hoje resolvi compartilhar esse sonho com outras pessoas de fé e com os devotos de Santa Terezinha do Menino Jesus, na expectativa de que alguém possa me ajudar a entender o real significado dessa mensagem enigmática.

Espero que um de vocês, com mais iluminação espiritual do que eu, possa me ajudar a compreender o teor dessa mensagem Divina, trazendo luz à Revelação que Santa Terezinha do Menino Jesus quis me fazer nesse sonho.

Que Deus nos ilumine a todos e nos conceda a sabedoria necessária para desvendar essa mensagem que Santa Terezinha nos enviou!

Que assim seja!

Amém!

Maurides Celso Leite  (um cristão cuiabano, que recebeu um sinal luminoso dos céus e que, apesar de ainda não ter compreendido toda a extensão desse mistério, se reconhece como mais uma das rosas colhidas por Santa Terezinha do Menino Jesus).

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Minhas Raízes Cuiabanas

Quem sou? Donde vim? Para onde vou? Eis uma inquietação que desafia o homem  desde os primórdios dos tempos. Continuamente nos perguntamos da nossa origem e do nosso destino. Que lugar e que papel ocupamos nessa vastidão do cosmos?

Transmudando essa inquietação para o plano pessoal, voejo em busca da minha ancestralidade, à procura das minhas raízes, em um vôo de pássaro até à árvore genealógica da família.

 Sinal civil de minha identidade, o meu nome é Maurides Celso Leite, mas poderia ser Maurides Celso Padilha Leite ou Maurides Celso Padilha Correa da Costa.  É que meu pai se chama Benedito Francisco Leite, mas deveria chamar-se Benedito Francisco Leite Correa da Costa . Leite, da minha avó, Joana, e Correa da Costa, de meu avô, Aminadabe.

Por sua vez, minha mãe, que se chama, Celina Ezidia Leite, deveria chamar-se Celina Ezidia Padilha Leite, eis que meu avô materno se chamava, João Evangelista Padilha, e a minha avó, Guilhermina Viegas Padilha. Com o casamento, porém, minha mãe foi despojada de seu sobrenome paterno, Padilha.

Há mais confusão de sobrenomes na família. Minha avó, a querida Nhanhá, em solteira se chamava, Guilhermina Viegas de Moura, pois era filha de João Gualberto de Moura. Mas, também poderia chamar-se Guilhermina Viegas de Pinho, eis que havia ascendentes seus que eram Viegas de Pinho. Aliás, Vô Jão, seu marido,  era um especialista na arte de confundir a genealogia familiar. Tanto que, ao casar-se com Nhanhá, levou esta a adotar o sobrenome Viegas Padilha, ao invés de Moura Padilha,  que seria a junção de seus sobrenomes. No primeiro filho, botou o nome de Antonio Teodoro de Pinho, em homenagem ao Santo de sua devoção. Perceba-se, nem Moura, de vovó, e nem Padilha, dele! Em outro filho, tio Vante, sapecou Fioravante Aniceto Evangelista. Ou seja, usou o sobrenome de sua mãe. Tio Tito, era Celestino Eugenio de Moura. Só o sobrenome de Nhanhá. Os tios, Abilio (Bio), Sebastião (Nhnhô) e Emilia (Miloca) receberam o sobrenome Viegas Padilha. Os tios, Basilia, Gabino e Isa só receberam o Padilha. Nenhum dos filhos portou o sobrenome Moura Padilha.

Consequência dessa barafunda toda é que perdemos elos de referência com a parentada. O que sei é que meus avós tem origem pantaneira. Vovô Aminadabe era de Mimoso. Família grande, tradicional. Primo segundo do ex-Governador de Mato Grosso,  Fernando Correa da Costa, a quem meu pai serviu como Oficial de Gabinete. Vovô Aminadabe também cometeu suas patacadas ao nomear a prole. Com exceção de meu pai, todos os seus demais filhos  (Adelaide, Ana Rita, Itrio, Montagas, Ibis, Neta, João Domingos, Aminadabe Filho, Maria Clara e Maria Rosa), herdaram o sobrenome, Correa. Mas ficaram sem o Costa. Minto, Aminadabe Filho, por óbvio, herdou o sobrenome completo do Pai.

As famílias de Nhanhá e Vô Jão eram de Barão de Melgaço e Mimoso, região do Estirão Cumprido e de Porto Brandão. Parte da família de Vô Jão é da região de Corumbá, onde temos alguns parentes. Também temos parentes na Região de Cáceres. Vice e versa, eis a rota urbana-fluvial-pantaneira das raízes da família: Cuiabá-Rio Cuiabá-Barão de Melgaço-Pantanal-Cáceres-Rio Paraguai-Corumbá.

Essas as minhas raízes! Leite, do São Gonçalo Beira Rio. Correa da Costa, do Mimoso. Viegas, Moura e Padilha, de Barão de Melgaço, Mimoso, Estirão Cumprido, Porto Brandão.

Cidadão cuiabano. Nascido no alto da Coxim. Criado no Terceiro de Fora e no Bairro do Baú.

Eis quem sou! Eis de onde vim!

Maurides Celso Leite (um homem que se orgulha de seu nome e de sua cidadania, que ama a sua terra, que valoriza suas raízes e que, apesar da confusão de sobrenomes, tem uma identidade certa: Pantaneiro de origem, Cuiabano de Chapa e Cruz!)

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NÃO É DE MANHÃ, SIMININO, É BEM CEDO!

Cuiabano de Chapa e Cruz não diz “DE MANHÔ, diz “BEM CEDO”. Então, ao ouvir um cuiabano dizer “BEM CEDO vou viajar”, saiba que  a viagem será de manhã… Se será no início, no meio ou no fim da manhã, ai já são outros quinhentos!

A nossa Cuiabá tem dessas coisas diferentes, com cheiro e sabor da terra, que só os iniciados na cuiabanidade  conseguem entender… São sinais, traços de uma cultura tricentenária que os desmandos do progresso não conseguiram sepultar…

A riqueza linguística cuiabana precisa ser,  cada vez mais, motivo de orgulho para todos nós, pois se trata de uma manifestação cultural das mais genuínas e belas da Língua Portuguesa Brasileira…

De tão caçoados que fomos ao longo do tempo, passamos a nos sentir uns brocoiós, uns ignorantes… Mas, já está na hora de discobrar daqueles que desvaleram de nós… Não vamos pedir-lhes pra calarem o bico ou pra darem o pira daqui porque somos hospitaleiros e educados…

Passa da hora, porém, de lembrarmos a todos que esta terra tem história, tem valor. Tem a fortidão daqueles que construíram a grandeza da pátria, sejam os índios que serviram aos bandeirantes, sejam os brancos, como Rondon e Dom Aquino, que orgulhariam e enriqueceriam a história de qualquer nação…

Esta terra é o berço de Silva Freire, um talentoso escultor da língua portuguesa, cuja pena dava vida aos sons das matas, dos rios, dos pássaros, das gentes destas paragens bororas, poetando palavras de simetria geométrica, que encantavam nativos e visitantes.

Esta é uma terra de quem tem raízes. De quem sorve a seiva do fundo do solo e encontra valores imorredouros na simplicidade da reza cantada do cururu, no som dolente da viola de cocho e no macio deslizar da canoa cabocla (que meu avô construía com maestria) cortando as águas do meu Cuiabá.

Não é de manhã, si minino, é bem cedo! Assim diria Nhanhá, minha saudosa avó, Guilhermina! Assim devemos dizer nós todos para preservar essa riqueza, que é nossa, que nos diferencia e que não podemos deixar perder na poeira do tempo.

Está certo que a globalização, via comunicação, televisão, computadores, internet, ifhone, ipad, etc, transformou a terra em uma pequena aldeia, onde usos, costumes e falares se universalizam a grande velocidade.

Nesse panorama, a moderna Cuiabá se recusa a viver no passado! Precisa, entretanto, trazer para o presente seus marcantes valores culturais, os quais hão de ser preservados como instrumentos de sua identidade sócio-histórico-cultural.

É preciso aloitar com os novos tempos para continuar a dizer, como os nossos avós: “NÃO É DE MANHÃ, SI MININO, É BEM CEDO!

Sinto um carinho na alma quando escuito alguém falar desse jeito!

Maurides Celso Leite (um cuiabano-de-pé-rachado, que passava os finais-de-semana no sítio de seu Avô, Henrique, na comunidade do Quebra-Pote e que, antes de se enfurnar nas roças de milho, mandioca, melancia e abóbora, plantadas por ele, degustava um delicioso quebra-torto feito por sua Avó, Joaninha, uma legítima cabocla da Comunidade de São Gonçalo Beira Rio).

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“CATADORES DE ESPERANÇAS”

Que a chuva seja uma bênção dos céus não há quem o possa negar. Nem mesmo o mais empedernido dos ateus! Afinal de contas, a chuva é água e água é vida para os homens e para a terra.

Na minha infância, porém, a chuva era mais que água. Era uma dádiva Divina que abria corredeiras na terra, oferecendo aos cuiabanos minúsculas pepitas de ouro…

Após a chuva, os moradores do bairro saiamos pelas ruas, a maioria sem calçamento, para catar ouro… Isso mesmo, ouro de aluvião, que escorria pelos filetes de água que sulcavam o solo por todos os lugares!

As pessoas se acocoravam no meio da rua, com um pedaço de madeira ou uma lamina de metal, revirando o cascalho, a areia, em busca de fragmentos de ouro que a enxurrada fazia brotar do coração da terra.

Eu morava no Bairro do Baú, próximo do Córrego da Prainha e da Ponte da Confusão, onde ruas sem calçamento, um solo com muito pedregulho e bastante declives, criavam um ambiente propício para essa animada garimpagem urbana.

 Trago indelével na mente a lembrança de alguns desses catadores, personagens marcantes de minha infância: Seu Dito de Dona Cidu – sisudo e rabugento; Seu Zé Canhambola – animado e bem humorado; Seu Pedro Chagas – ativo e conversador; Seu Sebastião Farias – austero e unha de fome; Seu Anísio Almeida (meu sogro) – falante e contador de histórias; Seu Antonio de Dona Nhanhá – calado e sério.

Com eles aprendi a recolher em um vidrinho de remédio específico os fragmentos de ouro que encontrava. Para mim e meus amigos de infância (Juvi, Juca, Altamir, Nego, Dega, etc), o pós chuva era uma festa, pois nos dava a oportunidade de conseguir dinheiro para o ingresso do cinema e do circo e para a compra de guloseimas.

Nos divertíamos catando ouro e competindo uns com os outros para ver quem tinha mais sorte… Mesmo não encontrando grandes quantidades e nem pepitas valiosas, cada pedacinho de ouro que recolhíamos naqueles vidros somavam sonhos em nossos corações, alimentavam fantasias em nossas mentes… A vida não era fácil, mas naquele jeito simples de ser encontrávamos alegria de viver…

Aqueles eram momentos que nos enchiam de alegria e nos faziam crer no amanhã. Nossas almas se faziam leves, fáceis de serem elevadas até Deus. Catando ouro na rua, ninguém buscava riquezas materiais… Buscávamos a vida. Éramos catadores de esperanças!

Infelizmente, em nome do progresso, as ruas ganharam calçamento e o asfalto pôs fim à catação de ouro pelas ruas da cidade. A esperança não podemos mais encontra-la em coisa tão singela. Nem se pode mais catá-la no meio da rua… A chuva ainda é uma bênção… A cidade e os homens é que não são mais os mesmos!

Maurides Celso Leite (um garimpeiro cuiabano que catava esperanças pelas ruas da cidade, prospectando sonhos de um futuro feliz, no tempo em que a vida comunitária fazia dos vizinhos amigos e da convivência diária um exercício permanente de solidariedade e de camaradagem).

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Ser ou Não Ser (Honesto), Eis a Questão

 

O cuiabano tradicional era metido a pensador,

Matutava a vida, ora numa rede à sombra, no quintal,

Ora, filosofando pancudo, numa roda de amigos.

Pensava a vida com seriedade e compromisso, afirmando valores ancestrais

Com a autoridade de quem sabia o que falava.

Sua fonte de sabedoria era o berço, a família,

Onde nutria a mais-valia da dignidade, da honradez e do trabalho.

O cuiabano era culto ou rústico. Ignorante, jamais.

Desfrutava de um saber que a cidade inspirava.

Na solidão de seu isolamento geográfico

A urbe pequena e mansa convidava à reflexão.

O cuiabano ostentava pose de filósofo, era pancudo,

Porque detinha a autoridade moral de ser aquilo de que falava.

Sua riqueza era o ser e o saber vivenciado no dia a dia.

E esse patrimônio não se corrompia. Não cedia à tentação.

A vida era simples, como a cadeira na calçada e a prosa com os vizinhos.

Hoje, porém, na modernidade de nossos dias,

Diante desse festival de iniquidades que assola o país,

O cuiabano se apropria do dilema Shakespeariano na peça HAMLET,

Para chamar a atenção de todos os que vivem neste torrão, dizendo:

Ser ou não ser (honesto), eis a questão!”,

Essa é uma provocação de quem se orgulha de sua história

De quem não  se conforma com a crise que devasta a pátria envergonhada.

De quem não aceita ser mero expectador do caos.

O cuiabano sabe que seus filhos serão vítimas da passividade

caso não faça algo aqui e agora.

Então responde ao dilema acima com atitude e compromisso,

Invocando os valores que empolgaram seus avós:

“Ainda que doa, vale a pena ser honesto!”

(Maurides Celso Leite, um Cuiabano pancudo que, diante da crise ética que desafia a nação brasileira, relembra, pesaroso, a sombria advertência de Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.)

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“O PRAZER DE SER CUIABANO”

Ser Cuiabano é um prazer

Que se come no pacu assado com recheio de farofa de couve

E que se delicia na mojica de pintado com farofa de banana.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se saboreia na manga colhida no quintal de casa

E que se bebe no licor de pequi degustado pós Maria Isabel.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se tem no balanço da rede cuiabana, sussurrando na varanda,

E que se ouve no som do pau-de-guaraná-ralado-na-glosa, de manhãzinha.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se dança no animado arrasta-pé do rasqueado

E que se admira no Siriri e no Cururu das festas ribeirinhas.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se inicia na vida que o rio entrega à cidade-filha

E que se perpetua na água  que mata a sede da cidade-mãe.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se expressa na beleza desse céu sempre azul

E que se encarna  no calor desse sol brilhante e quente.

Ser Cuiabano é um prazer

Que se revela no jeito amigo e hospitaleiro do nosso povo

E que se vê impresso na alma alegre e festiva de nossa gente.

Ser Cuiabano é um prazer…

Que se sente… Que se sente.

Maurides Celso Leite (um homem abençoado que carrega na alma os sabores da terra e que, por isso, desfruta do inigualável  PRAZER DE SER CUIABANO).

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“AMOR CUIABANO”

HÁ TANTO TEMPO VIVENDO EM SEUS BRAÇOS

E SÓ HOJE ESCANCARO AO MUNDO O MEU AMOR POR VOCÊ…

ESSE SENTIMENTO QUE GUARDEI NO ANONIMATO DO MEU PEITO

E QUE SE REVELA NO INCONSCIENTE COLETIVO DE SEUS TANTOS OUTROS AMORES.

VERDADE QUE NUNCA TIVE CIÚMES QUE OUTROS TAMBÉM A AMASSEM,

 POIS ORGULHA-ME VÊ-LA TÃO QUERIDA.

SINTO-ME FELIZ TAMBÉM POR VOCÊ CORRESPONDER

AO AMOR DE TANTOS HOMENS.

POR SE DESVELAR EM CARINHO

ATÉ POR AQUELES QUE LHE SÃO INFIÉIS.

NÃO HÁ QUEM RESISTA A ESSE SEU JEITO BREJEIRO, FESTIVO, CALIENTE E SENSUAL,

 QUE ARREBATA MENTES E CORAÇÕES DE TODOS,

DEIXANDO-NOS ATÔNITOS E PERDIDOS

NOS ALTOS E BAIXOS DE SUAS SALIÊNCIAS E REENTRÂNCIAS…

MESMO SENDO RICA E BELA

VOCÊ NÃO DESPREZA NEM O MAIS MISERÁVEL DOS SEUS AMANTES,

AOS QUAIS NUNCA NEGA A PROTEÇÃO DO SEU COLO

 E O REGALO DO SEU CORPO ACONCHEGANTE.

POR ISSO, HOJE, EM SEU ANIVERSÁRIO,

OUSO AO MUNDO REVELAR

QUE MINH’ALMA CUIABANA

TODA INTEIRA SE UFANA

DE LHE PERTENCER E AMAR.

EU TE AMO, CUIABÁ!

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Maurides Celso Leite (um cuiabano apaixonado por sua terra, essa morena linda e trigueira, quase tricentenária, que, mãe, mulher, amante e companheira, lhe deu um berço aquecido, aconchegante e feliz, no qual também foram gerados e acarinhados os seus filhos e netos).

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